sexta-feira, 20 de julho de 2007

Carta pública à comunidade USP e sociedade civil.



Desde o primeiro dia de ocupação da Reitoria da USP, a preocupação com a segurança do patrimônio público tornou-se prioritária para o movimento de ocupação; afinal seria um contra-senso reivindicar o caráter público da universidade e sua autonomia promovendo a destruição de seu patrimônio.

Neste sentido, uma das medidas tomadas pela primeira assembléia deliberativa da ocupação, feita poucas horas após a entrada nos prédios, foi a de criar uma comissão de segurança com membros rotativos. Esta comissão era responsável por zelar pela preservação do espaço físico, não permitindo o acesso de pessoas aos andares superiores dos prédios; estabelecia-se, assim, um limite físico para a movimentação dos ocupantes que ficou restrita apenas às áreas do andar térreo. Foram montadas barricadas nas escadas de acesso aos andares superiores que eram vigiadas 24 horas por dia pelos membros que, rotativamente, participavam da comissão de segurança. Para preservação dos computadores, que não seriam usados pelo movimento e de outros objetos de valor que se encontravam no andar térreo, ficou reservada uma sala na qual os objetos foram guardados.

Ainda assim, devido ao grande número de pessoas que passavam pela ocupação diariamente, uma vez que o movimento abriu as portas da reitoria para toda a comunidade USP e outras universidades, não poderiam existir garantias efetivas para um controle total das condições de segurança do prédio, uma vez que seria impossível impedir a entrada de pessoas mal intencionadas.
Conscientes dessa condição, o movimento propôs à Reitora Suely Vilela, nas diversas reuniões de negociação que ocorreram, a criação de uma comissão paritária com membros da reitoria, comunidade USP e participantes do movimento de ocupação, para averiguarem conjuntamente e de forma transparente as condições materiais do prédio - averiguação esta que seria feita logo após a desocupação do local. Porém, para nossa surpresa, assim que a desocupação foi efetivada, as portas novamente se fecharam e não houve o cumprimento por parte da reitoria do que fora anteriormente acordado.

Não podemos, portanto, reconhecer os números amplamente alardeados na imprensa que supostamente dariam a conta dos danos ao patrimônio público. Repudiamos, também, aquilo que entendemos ser uma “desavergonhada” tentativa de criminalização do movimento político de ocupação por meio da apresentação de números duvidosos e desencontrados por parte da reitoria, além da exacerbação de algumas notícias veiculadas por parte de setores oportunistas da imprensa que, desde o primeiro dia de ocupação, não se contentam em procurar desmoralizar um movimento autônomo que teima passar ao largo do receituário político e ideológico do status quo, dos quais não passam de meros porta-vozes.

Entendemos que os danos causados pela entrada no prédio, da porta principal e de um vidro de uma porta de acesso, no dia 3 de maio, decorreram da pressão e do número excessivo de pessoas que entraram ao mesmo tempo devido ao inconformismo de ver as portas da reitoria sendo fechadas enquanto pedíamos um diálogo com o vice-reitor; não cabendo, portanto, nenhum tipo de punição a ninguém, uma vez que o ato foi puramente político. As acusações, de que o movimento promoveu pichações, são totalmente infundadas e oportunistas, uma vez que enxergam em pinturas e grafites, feitos nos tapumes que envolvem toda a entrada e a fachada do portão principal, indícios de vandalismo – vale notar aqui o simbolismo, e não nos surpreendeu, quando as pinturas que davam nova vida e significado ao entorno do prédio lúgubre da reitoria foram logo apagadas e substituídas por uma monótona camada de tinta cinza.
Quanto a supostos furtos, entendemos que punições, sem provas cabais e irrefutáveis que dêem conta de identificar precisamente o autor de um ato de furto determinado, serão interpretadas pelo movimento como um ato de punição política em total desacordo com o que foi assinado pela reitora Suely Vilela, nos termos de compromisso para desocupação da reitoria.

Voltamos a afirmar que a ocupação da reitoria se constituiu em um ato político legítimo dos estudantes da universidade, que barrou parcialmente os ataques do governador José Serra à autonomia universitária. Além disso, a ocupação da reitoria colocou em cena os estudantes, não mais apenas como aprendizes, mas como agentes da construção política. Abriu-se assim, uma nova perspectiva a ser construída com toda a comunidade USP e com a sociedade, de uma efetiva democratização dos mecanismos arcaicos e autoritários de poder desta universidade.
DCE Livre da USP "Alexandre Vannuchi Leme"

AMORCRUSP

CCA FFLCH

Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira (Caaso)

Centro Acadêmico "XI de Agosto"

Centro Acadêmico Iara Iavelberg (CAII)

Centro Acadêmico Lupe Cotrin (Calc)

Centro Acadêmico "Emílio Ribas" (Caer)

CENTRO ACADÊMICO "ROCHA LIMA" (CARL)

Ocupação afirmativa

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